
A comunidade de Quixaba, na zona rural de Picuí, no Seridó paraibano, estará com os holofotes do mundo voltados para ela na próxima quinta-feira (13). O projeto “Mulheres da Quixaba: Juventude e Sustentabilidade no Semiárido”, que conta com a parceria e o apoio técnico da Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec), será apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, que começa nesta segunda-feira (10).
A iniciativa promete chamar a atenção dos participantes pela forma como promove o empreendedorismo e a autonomia econômica das mulheres do campo, aliando geração de renda à convivência sustentável com o Semiárido.
Para Ednalva Dantas, fundadora da Associação Mulheres da Quixaba, a expectativa é “gigantesca”. “Porque, vejam, nós vamos poder mostrar uma experiência exitosa que nasceu aqui no sítio de Quixaba, na zona rural do município de Picuí e que mudou a história das mulheres agricultoras familiares. Veja que maravilha! Nós vamos ter a oportunidade de mostrar para o Brasil e para o mundo essa experiência, que está dando certo”, comemora, entusiasmada.

Da semente à doçura: uma história de transformação
A associação tem 12 anos de fundação e é um exemplo de resiliência e inovação. Tudo começou com um grupo de mulheres que buscava dias melhores em uma região onde a chuva é escassa. “Nós juntamos um grupo de mulheres que estavam insatisfeitas com a vida no campo... Essas mulheres ficavam ociosas boa parte do ano. Então, nos unimos, formamos um grupo de mulheres por dias melhores”, relembra Ednalva.
O ponto de partida foi simples, mas poderoso: aproveitar o que o Semiárido oferece. “Buscamos nos capacitar e pegamos o fruto nativo da região, o umbu e hoje somos 25 mulheres que têm um complemento de renda”, conta.
O que começou de forma modesta “as mulheres iam pra casa com um quilo de açúcar, coletando o umbu dentro das propriedades para fazer os doces e as geleias” se transformou. A atividade se multiplicou e uma escola abandonada foi convertida em uma cozinha industrial.
Hoje, a produção é diversificada. Além dos doces e geleias de umbu, são produzidos outros doces à base de leite, além da sorda branca e a sorda preta (feita com rapadura). O carro-chefe, no entanto, é o “queridinho” café com leite. A associação também produz bolos que são vendidos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), iniciativas do governo federal que fortalecem a agricultura familiar e combatem a vulnerabilidade alimentar.

Alcance nacional e olhar no futuro
O sucesso do projeto extrapolou os limites do sítio Quixaba. Além das vendas institucionais, os produtos são comercializados em feiras de agricultura familiar e em eventos de grande porte, como o G20 Social, no Rio de Janeiro, e o 9º Salão do Turismo, em São Paulo. A cadeia de produção direta, que conta com 25 mulheres, já mobiliza, indiretamente, cerca de 900 pessoas.
“Nosso objetivo é fortalecer a atuação de mulheres e jovens rurais no enfrentamento das mudanças climáticas, promovendo a geração de trabalho e renda a partir de práticas agroecológicas, educação ambiental e valorização dos saberes tradicionais”, destaca Ednalva, reforçando a missão do grupo.
A COP30 representa um salto nessa trajetória. “A nossa expectativa é que, na COP30, tenhamos a oportunidade de mostrar o nosso trabalho e, com isso, apareça a oportunidade de negociação nacional e internacional, já que estaremos num ambiente onde muitos países se fazem presente. Acreditamos que dará certo”, conclui, confiante, a fundadora da Associação.
A apresentação do projeto “Mulheres da Quixaba” em um evento global sobre mudanças climáticas é a prova viva de que o desenvolvimento sustentável, aliado ao empoderamento feminino, é um caminho não apenas possível, mas frutífero. Uma história que, nascida no Semiárido paraibano, agora inspira o mundo.
TEXTO: Ana Cláudia
FOTOS: Acervo pessoal
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