
Em um mundo onde a diversidade e a inclusão são fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento de bons profissionais, a Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec) reforça seu comprometimento com o respeito às diferenças.
Ícaro César é um exemplo inspirador de como a inclusão pode trazer benefícios para todos. Começou sua carreira profissional na Funetec em janeiro de 2023, quando foi contratado como estagiário da Chefia de Gabinete, desenvolvendo atividades administrativas que exigiam um nível maior de interação social ao qual ele estava acostumado. Logo depois, Ícaro foi transferido para o Departamento de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (DGDP), onde atuou auxiliando nas demandas internas do setor.
Hoje, aos 21 anos, Ícaro, que é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista - TEA - moderado, nível 2, caracterizado pela dificuldade significativa na comunicação e interação social, foi contratado como assistente administrativo e passou a integrar a equipe do setor de Patrimônio da Fundação. Recentemente, ele concluiu o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (EAD) no UNIESP Centro Universitário.
“O autismo não é uma doença. O autismo é uma forma de ver o mundo diferente. É um transtorno que, com o passar do tempo, a gente aprende a lidar com as diferenças e consegue fazer a diferença no mundo”, disse Ícaro.
No Brasil, 2 milhões de pessoas têm o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a estimativa é que apenas 15% dos adultos com autismo estejam empregados. A maioria das pessoas diagnosticadas com TEA tem capacidade para trabalhar, mas o preconceito e a falta de apoio limitam a sua inserção no mercado de trabalho. A Lei Brasileira de Cotas (nº 8.213 de 1991) obriga empresas com 100 ou mais funcionários a preencher de 2% a 5% dos cargos com pessoas com deficiência. A Lei nº 12.764/2012 define que as pessoas com TEA são consideradas pessoas com deficiência, para todos os efeitos legais.
A inserção de pessoas com autismo no mercado de trabalho é um tema cada vez mais discutido e necessário. Por isso, visando um ambiente favorável à inclusão, a Funetec adota medidas de inclusão desses profissionais em seu quadro de colaboradores.
“Ser líder de Ícaro para mim tem sido motivo de muita alegria. Em uma sociedade como a que nós vivemos, nós conseguimos incluir, dentro de uma empresa, em um ambiente de trabalho, um rapaz de 22 anos, autista, grau 2. Para gente, o sentimento não pode ser diferente. Ícaro é um rapaz que tem muita sensibilidade, ele consegue interpretar o que a gente precisa rapidamente e isso faz com que as coisas fluam facilmente. Dentro do setor, o que eu prego é que todos são iguais e isso tem deixado ele cada vez mais incluso no ambiente, independente do transtorno,” declarou Luciano Crispim, coordenador de Patrimônio da Funetec.

O que é Transtorno do Espectro Autista?
Segundo o Ministério da Saúde, o Transtorno do Espectro Autista é um distúrbio do neurodesenvolvimento, caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social e padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades.
O diagnóstico de TEA é clínico e acontece por meio da observação de sintomas na criança, de entrevistas com os responsáveis e da aplicação de metodologias específicas. Geralmente, o diagnóstico é estabelecido por volta dos 2, 3 anos de idade, e a prevalência é maior no sexo masculino. De acordo com dados do Center for Disease Control and Prevention (CDC), estima-se que no Brasil existam 2 milhões de pessoas com autismo.
Ainda não há cura para o Transtorno do Espectro Autista nem um padrão de tratamento que possa ser aplicado em todas as pessoas que apresentam essa condição. Porém, existem recursos terapêuticos que são capazes de melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo os sintomas e aperfeiçoando suas habilidades sociais e comunicativas.
.Fotos: Renato Britto
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