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Coordenação do centro regional de referência do IFPB participa de comissão da SENAD para elaboração de curso distância para 2013

19/10/2012 00:00:00

  A Coordenadora do Centro Regional de Referência para a Capacitação de Profissionais que atuam na Rede de Atenção aos Usuários de Crack e outras Drogas (CRR-IFPB), professora Vania Medeiros, foi incluída em uma comissão da Secretária Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SENAD), órgão do Ministério da Justiça, para elaboração do projeto de um curso à distância na área de Tratamento Comunitário para o próximo ano.

            A professora Vania Medeiros participou de uma reunião, ontem (16), com a Secretária da SENAD, doutora Paulina Duarte Vieira, no Gabinete da Secretaria, no Ministério da Justiça, em Brasília-DF, para planejamento das diretrizes a serem implementadas na elaboração do referido curso. Também estavam presentes à reunião os demais membros que comporão a comissão para elaboração do Curso à Distância em Tratamento Comunitário: a Diretora de Planejamento e Avaliação da SENAD,  Cátia Betânia Chagas; a psicóloga Raquel Barros, presidenta do Instituto Empodera (Sorocaba-SP), fundadora da Associação Lua Nova e mentora do projeto do curso em Tratamento Comunitário. A professora Maria Aparecida Penso, consultora do CRR-IFPB, também participou da reunião representando a Universidade Católica de Brasília, e o jornalista Crisvalter Medeiros, coordenador-adjunto do Núcleo de Estudos Trandisciplinares em Dependência Química (Netdeq-IFPB).

           O curso de Tratamento Comunitário vai capacitar pessoas que desenvolvem atividades nas áreas de educação, trabalho, saúde, e dignidade humana com a finalidade de diminuir vulnerabilidades ao uso de crack e outras drogas, em âmbito nacional, com uma previsão inicial de atingir um público de 15 mil alunos.

            Ao final da reunião, a Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas, Doutora Paulina Duarte Vieira, concedeu entrevista ao jornalista Crisvalter Medeiros, enfocando a importância dos Centros Regionais de Referência no plano nacional de enfrentamento ao crack e outras drogas.

 

 Crisvalter Medeiros: Doutora Paulina, quais as medidas que estão sendo implementadas pela SENAD para consolidar o plano nacional de enfrentamento ao crack e outras drogas?
Paulina Duarte: Acho importante destacar que em relação à questão das drogas, seja crack, álcool, cocoaína ou maconha não há uma solução mágica, as respostas mais efetivas, e que vem sendo apresentadas no mundo todo, são aquelas que tem sustentabilidade.  Nesse sentido, o plano nacional de enfrentamento ao crack e outras drogas já traz uma grande novidade, em termos de sustentabilidade, que é o projeto dos Centros Regionais de Referência (CRRs). Esses Centros são polos regionais inseridos em instituições públicas de ensino superior que tem a capacidade de produzir conhecimento, formar recursos humanos e, essencialmente, articular a rede de serviços. Este é o grande diferencial do plano nacional de enfrentamento ao  uso de crack e outras drogas, em termos de sustentabilidade e de resposta efetiva a essa questão.
Crisvalter Medeiros: Quantos Centros Regionais de Referência estão funcionando, efetivamente, no País?
Paulina Duarte: Num primeiro momento, nós tivemos a afiliação de 49 universidades e outras instituições de ensino superior. Para este ano, já aprovamos mais 13 Centros; portanto, teremos ao final de 2012, 65 CRRs implantados em diferentes Estados e regiões do País como polos de implementação das discussões sobre o problema das drogas, produzindo conhecimento, formando recursos humanos e articulando a rede de profissionais.
Crisvalter Medeiros: Qual o planejamento orçamentário da SENAD para as implementações relacionadas aos CRRs?
Paulina Duarte: Já foram investidos recursos na ordem de 12 milhões de reais na implantação dos Centros. A expectativa é formar cerca de 15 mil profissionais por ano nesses Centros.
Crisvalter Medeiros: Muitas universidades ainda resistem à inserção da temática sobre das drogas nos seus cursos. A implantação dos CRRs pode contribuir para minimizar essa resistência das universidades em trabalhar essa questão?
Paulina Duarte: Eu não acho que existe resistência das universidades sobre o tema das drogas. Eu entendo que há uma certa cautela das universidades em direção ao desconhecido. O tema droga ainda não é prioridade em termos de discussão e de produção de conhecimento. Portanto, eu vejo a implantação dos Centros Regionais de Referência como o grande prenúncio de abertura a essa nova possibilidade de trazer esse tema, que é tão atual e importante nos aspectos de saúde, segurança e nos outros domínios da vida do cidadão, para se estimular essa discussão na sociedade.
Crisvalter Medeiros: O fato da temática da droga trabalhar com aspectos ilícitos tem alguma relação com a dificuldade de inseri-lo, de forma mais ampliada, nos contextos do ensino e da pesquisa nas universidades?
Paulina Duarte: Não! Não vejo isso absolutamente. Repito, não vejo resistência nas universidades a essa temática, mas cautela ao novo, ao desconhecido. Entretanto, isso está mudando, a prova é a resposta de adesão das instituições de ensino superior ao edital de implantação dos CRRs,  recebemos mais de 70 projetos. Acho que é apenas uma questão de tempo para todas as universidades do País aderirem à temática das drogas.
Crisvalter Medeiros:  Os CRRs estão atuando mais na área da capacitação profissional. Qual a possibilidade de focar também na prevenção e reinserção social?
Paulina Duarte: Os Centros Regionais de Referência já trabalham com o foco na prevenção e na reinserção social. Embora a princípio os Centros tivessem cursos mais voltados aos profissionais de saúde e assistência social, toda a lógica de formação é desenvolvida como um todo na perspectiva das ações na área de promoção à saúde, da prevenção ao uso de drogas e do tratamento nos seus diferentes modelos, bem como à reinserção social.
Crisvalter Medeiros: Paulina, qual é o grande objetivo da SENAD com relação aos CRRs. É manter uma rede de centros de formação em todo o País, com apoio orçamentário, ou que esses centros sejam, paulatinamente, inseridos nos contextos administrativos das instituições nas quais estão funcionando como projetos de extensão?
Paulina Duarte: Esses Centros fazem parte de um projeto de enfrentamento ao crack e outras drogas; portanto, o objetivo da SENAD, com relação a eles, é dar sustentabilidade ao plano de enfrentamento ao crack e outras drogas, a partir do espaço legítimo da produção de conhecimento, de discussão das ideais, formação de recursos humanos, iniciativas que perfazem o dia-a-dia das instituições de ensino superior. Desta forma, o objetivo da SENAD, com relação aos Centros Regionais, é dar sustentabilidade ao plano de enfrentamento ao crack por meio da produção de conhecimento, formação de recursos humanos e articulação das redes.
Crisvalter Medeiors: Doutora Paulina, você já tem alguma avaliação do resultado desses Centros no contexto mais amplo  de enfrentamento da questão das drogas?
Paulina Duarte: Nós já temos alguma avaliação porque os Centros foram implantados a partir de projetos que concorreram aos editais públicos do Governo Federal. Posso afirmar, portanto, que a procura de outras instituições de ensino superior e dos profissionais para implantação desses Centros tem sido muito grande.
 

 





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